Os futuros das ações dos EUA sobem enquanto os mercados se preparam para o importantíssimo relatório da folha de pagamento não agrícola nesta 6ª feira (4.out.2024). Espera-se que os números apontem para um quadro estável, embora em desaceleração, do mercado de trabalho antes das 2 reuniões restantes do Fed (Federal Reserve, Banco Central dos EUA) este ano.
Em outros lugares, os trabalhadores portuários das Costas Leste e do Golfo dos EUA suspenderam uma greve que ameaçava exercer forte pressão sobre a economia em geral. No Brasil, o fiscal segue no radar com deficit primário em agosto.
Formulário de cadastro
1. Folhas de pagamento
Os mercados estão concentrados na publicação do relatório da folha de pagamento não agrícola de setembro- chamados de payroll-, às 9h30 (de Brasília) desta 6ª feira.
Estima-se que a economia dos EUA tenha mantido um ritmo moderado de crescimento de empregos durante o último mês do 3º trimestre, enquanto a taxa de desemprego deve se igualar ao nível de 4,2% de agosto.
Se as principais leituras do Departamento do Trabalho atenderem a essas expectativas, isso poderá diminuir a necessidade de o Fed implementar outra redução de 50 pontos-base– medida que corresponde a 0,01 ponto percentual- na taxa de juros nas próximas reuniões do banco central em novembro e dezembro. O Fed anunciou uma grande redução nos custos de empréstimos em sua reunião no mês passado, em parte impulsionada pelo desejo de reforçar o mercado de trabalho.
O furacão Helene, que passou por partes do sudeste dos EUA na semana passada, e a greve em andamento dos trabalhadores da Boeing (NYSE:BA) no noroeste do Pacífico dos EUA podem ter um impacto potencial sobre o relatório.
Espera-se que os números, juntamente com os dados de vagas de emprego e folhas de pagamento privadas no início desta semana, apontem para uma desaceleração sustentada e ordenada na demanda de mão de obra, sustentada por um crescimento salarial estável.
Os futuros das ações dos EUA subiam nesta 6ª feira (4.out), com os investidores se preparando para a divulgação dos dados cruciais sobre empregos nos EUA.
Às 7h50 (de Brasília), o contrato Dow futuros subia 0,04%, o S&P 500 futuros ganhava 0,20%, enquanto o Nasdaq 100 futuros havia subido 0,35%.
Os principais índices encerraram a sessão anterior em ligeira baixa, sinalizando uma nota de cautela antes do relatório do payroll. Os investidores também estavam atentos à escalada das tensões no Oriente Médio.
O índice de referência S&P 500 caiu 10 pontos, ou 0,2%, o índice de 30 ações Dow Jones Industrial Average caiu 185 pontos, ou 0,4%, e o índice de alta tecnologia Nasdaq Composto caiu 7 pontos, ou 0,04%.
Em uma nota aos clientes, os analistas da Vital Knowledge argumentaram que as tendências recentes do mercado de ações foram marcadas por medidas de estímulo do governo chinês e uma série de cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais globais, contrabalançando as avaliações mais altas das ações.
“O 1º [Estímulos do governo chinês] está evitando quedas sustentadas e prolongadas, enquanto o 2º [corte na taxa de juros pelos bancos centrais globais] atua como um obstáculo para ganhos materiais adicionais”, disseram os analistas.
“Acreditamos que o estímulo é, em última análise, a mais poderosa dessas 2 forças compensatórias, o que manterá a tendência das ações apontando para cima, mas os índices elevados [de preço por ação] deixam as ações expostas a manchetes negativas.”
2. Deficit primário
O cenário das contas públicas segue no radar, com investidores e analistas preocupados com a situação fiscal brasileira. O governo central registrou um deficit primário de R$22,4 bilhões em agosto, de acordo com dados do Tesouro Nacional que contemplam, além do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social. No acumulado do ano, o deficit atingiu R$99,997 bilhões, queda anual de 9,1%.
O novo arcabouço fiscal prevê a meta de zerar o deficit primário para este ano, com tolerância de 0,25 ponto percentual com relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Para que seja possível chegar a esse objetivo, novas medidas de equalização das contas são esperadas.
De acordo com o BofA (Bank of America, NYSE:BAC), o sentimento dos investidores locais segue negativo para a bolsa de valores brasileira, com preocupações fiscais contaminando as perspectivas.
“Algumas medidas para conter a despesa serão bem-vindas, mas, a menos que sejam apresentadas reformas estruturais, a estabilização da dívida continuaria complicada”, aponta o BofA em relatório.
Às 7h50 (de Brasília), o ETF EWZ (NYSE:EWZ) subia 0,58% no pré-mercado.
3. Portuários suspendem greve
Os trabalhadores portuários dos EUA nas costas leste e do Golfo devem suspender sua greve de vários dias depois que seu sindicato e o grupo que representa as grandes empresas de transporte marítimo chegaram a um acordo na 5ª feira (3.out).
A paralisação do trabalho fechou os portos do Maine ao Texas, ameaçando grande parte da economia dos EUA ao prejudicar as cadeias de suprimentos e as importações de produtos como alimentos e produtos farmacêuticos. Analistas do JPMorgan (NYSE:JPM) disseram que a greve custou à economia até US$ 4,5 bilhões por dia, informou o Financial Times.
O acordo provisório prevê um aumento salarial de aproximadamente 62% ao longo de 6 anos, informou a Reuters, citando 2 fontes familiarizadas com o assunto. O número ficaria entre os 77% almejados pelo sindicato dos trabalhadores da ILA (Associação Internacional de Estivadores, traduzido da sigla inglês) e os quase 50% oferecidos pelo grupo patronal, USMX (United States Maritime Alliance).
Em uma declaração, a ILA e a USMX disseram que estenderiam seu contrato principal até 15 de janeiro do próximo ano. No entanto, as principais questões entre os 2 permanecem, incluindo as preocupações dos trabalhadores de que a automação nos portos poderia causar perda de empregos.
As ações das empresas de transporte marítimo caíram depois do anúncio, incluindo a AP Moeller – Maersk (CSE:MAERSKb) na Dinamarca. Os investidores que apostavam em uma recuperação das taxas de frete recentemente deprimidas devido à greve ficaram desapontados, disseram analistas à Reuters.
4. Seven & i Holdings
A empresa japonesa Seven & i Holdings (TYO:3382) está pensando em uma possível venda de uma participação majoritária em seus negócios de supermercados, incluindo sua principal divisão Ito-Yokado, de acordo com o diário de negócios Nikkei.
A empresa controladora da cadeia de lojas de conveniência 7-Eleven está procurando vender as unidades para fundos de investimento no exterior, entre outros candidatos em potencial, informou o Nikkei. O processo deve começar já no final deste ano, acrescentou.
Um porta-voz da Seven & i citado pela Reuters disse que a mudança “não é algo oficialmente anunciado por nossa empresa”, observando que “não há fatos que tenham sido decididos neste momento”.
Em setembro, a Seven & i rejeitou uma oferta de aquisição de US$ 38,5 bilhões da canadense Alimentation Couche-Tard. Teria sido a maior aquisição estrangeira na história das empresas japonesas.
5. Ganhos do petróleo no mercado
Os preços do petróleo subiram nesta 6ª feira (4.out), e estavam em curso para seu maior ganho semanal em mais de 1 ano, devido ao aumento do risco de um conflito crescente no Oriente Médio.
Às 7h53, o contrato do Brent ganhava 1,62%, para US$ 78,88 por barril, enquanto os futuros do petróleo dos EUA (WTI) eram negociados 1,64% mais altos, a US$ 74,92 por barril.
Os futuros do brent tiveram um ganho de cerca de 8% na semana – o maior desde fevereiro de 2023, enquanto o aumento semanal de 8% dos futuros do petróleo bruto dos EUA seria o maior desde março do ano passado.
Com informações da Investing Brasil.







