Com umidade em níveis críticos e temperaturas recordes, moradores enfrentam impactos diretos na saúde física e mental; especialistas dão dicas de prevenção.
Brasília, 5 de setembro de 2025 – A chegada de setembro confirmou o que muitos brasilienses já temiam: a combinação de calor extremo, seca prolongada e umidade do ar em níveis críticos está tornando a vida na capital ainda mais difícil neste fim de inverno.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os índices de umidade chegaram a 12% nesta semana — muito abaixo dos 30% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Combinado com temperaturas acima de 36°C, o cenário acende um alerta para a saúde da população.

Efeitos do tempo seco na saúde
Os principais impactos da seca são sentidos diretamente no corpo. A falta de umidade resseca as vias respiratórias, favorecendo crises de asma, rinite, bronquite, sangramentos nasais e irritações oculares. Além disso, o risco de desidratação e infecções respiratórias aumenta consideravelmente.
“O tempo seco prejudica a função pulmonar e agrava quadros alérgicos. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os mais afetados”, explica a pneumologista Dra. Lúcia Ramos, do Hospital de Base.
Nos hospitais públicos e privados da capital, o número de atendimentos por problemas respiratórios aumentou cerca de 18% nas últimas semanas, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF.

Calor também afeta a saúde mental
Além dos efeitos físicos, a combinação de calor e ar seco pode gerar desconforto emocional, irritabilidade, insônia e sensação de cansaço extremo. Para muitas pessoas, a qualidade do sono diminui, afetando a concentração e o rendimento no trabalho ou nos estudos.
“Nos dias mais secos, o corpo entra em estado de alerta constante. Isso interfere no sono, no humor e até no apetite”, comenta a psicóloga Renata Mendonça, especialista em saúde coletiva.
Como se proteger em períodos de seca e calor intenso?
Algumas medidas simples podem minimizar os impactos do clima seco na saúde:
- Beba muita água, mesmo sem sentir sede;
- Evite exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 17h;
- Use soro fisiológico para hidratar olhos e narinas;
- Prefira alimentos leves e com alto teor de água, como frutas e vegetais;
- Mantenha os ambientes umidificados, com toalhas molhadas ou bacias com água;
- Feche janelas e cortinas durante o dia para manter a temperatura interna mais amena.

O papel das áreas verdes e da consciência ambiental
A redução da cobertura vegetal urbana também contribui para o agravamento do clima em Brasília. Bairros com menos árvores apresentam até 4°C a mais do que regiões arborizadas, segundo estudo da Universidade de Brasília (UnB).
Preservar e ampliar as áreas verdes urbanas não é apenas uma questão estética: é uma ação de saúde pública e sustentabilidade climática.
Alerta para os próximos dias
A previsão do tempo indica manutenção do clima seco nos próximos 10 dias, com possibilidade de novos recordes de calor. A recomendação dos órgãos de saúde é redobrar os cuidados e ficar atento a sinais como tosse persistente, falta de ar e mal-estar geral.
Brasília atravessa mais um período de seca severa — e a tendência é que esse cenário se torne cada vez mais comum. A melhor resposta ainda é a prevenção.
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