Brasília, 5 de setembro de 2025 – Quem mora na capital federal já está acostumado com os dias secos e quentes do fim do inverno, mas o que tem chamado a atenção nos últimos anos é a intensidade das ondas de calor e o aumento anormal das temperaturas, mesmo fora do período mais quente do ano.
Na última semana, os termômetros ultrapassaram os 36°C em pleno início de setembro, com índices de umidade chegando a alarmantes 12%, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O cenário levanta uma preocupação crescente: o clima do Cerrado está mudando — e rápido.
O que está acontecendo com o clima?
Especialistas apontam que o aumento das temperaturas e a antecipação das ondas de calor estão ligados a mudanças climáticas globais combinadas com fatores regionais, como o desmatamento do Cerrado e a urbanização acelerada.
“O que vemos em Brasília é reflexo de um padrão que se repete em todo o Brasil Central: o clima está ficando mais extremo. Os períodos secos estão mais longos, o calor mais intenso e a recuperação da umidade demora mais a acontecer”, explica o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências.
Além disso, os efeitos do fenômeno climático El Niño, ainda presente em 2025, estão contribuindo para o aquecimento anormal das massas de ar sobre o Centro-Oeste.

Impactos na saúde e no cotidiano
O calor excessivo e a baixa umidade trazem riscos imediatos à saúde, como desidratação, problemas respiratórios, alergias e agravamento de doenças crônicas.
A médica pneumologista Dra. Lúcia Ramos, do Hospital de Base, alerta: “O tempo seco resseca as vias aéreas e pode agravar quadros de asma, bronquite e rinite. É fundamental que a população se hidrate e evite exposição prolongada ao sol.”
Além da saúde, o calor influencia também na rotina escolar, no trânsito e até no abastecimento de água e energia, exigindo medidas de prevenção e adaptação.
O que pode ser feito?
Enquanto políticas públicas mais amplas são discutidas, algumas ações individuais e comunitárias podem ajudar a mitigar os efeitos do calor extremo:
- Plantar árvores ou manter áreas verdes no entorno de casas e prédios;
- Reduzir o uso de ar-condicionado com estratégias de ventilação natural;
- Evitar queimadas urbanas e rurais, que agravam a seca e a poluição do ar;
- Aumentar o consumo de água e manter ambientes umidificados com toalhas molhadas ou recipientes com água.

Um alerta que veio para ficar?
As ondas de calor fora de época não são mais exceções, e sim um sinal de alerta de que o clima está mudando mais rápido do que se imaginava. Para Brasília, uma cidade projetada para o futuro, o momento é de repensar o presente e se preparar para novos desafios climáticos.
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