Mesmo com mais tecnologia e promessas do governo, a floresta segue sendo destruída. Entenda como isso acontece — e o que está por trás desse problema.
Nos primeiros seis meses de 2025, a Amazônia perdeu mais de 5 mil km² de floresta. Isso é quase o tamanho do Distrito Federal. O número chama atenção porque o governo prometeu reduzir o desmatamento e tem investido em fiscalização com drones, satélites e ações da Polícia Federal.
Mas se a fiscalização aumentou, por que a floresta continua sendo derrubada? Nesta matéria, mostramos o que está por trás dessa realidade: estratégias usadas por criminosos, falhas no sistema de controle e até conivência de autoridades locais.
Os números não mentem
De janeiro a junho de 2025, o sistema do INPE (que monitora a floresta por satélite) registrou mais desmatamento do que no mesmo período de 2024.
O governo realizou mais de 40 grandes operações para combater crimes ambientais. Porém, apenas uma pequena parte das áreas destruídas foi recuperada ou embargada.
“O problema não é só chegar lá, é chegar a tempo”, explica Carlos Teixeira, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais.
Como os criminosos burlam a fiscalização
A fiscalização melhorou, mas os desmatadores também se modernizaram. Eles usam novas estratégias para enganar os sistemas de controle e fugir das autoridades.
Derrubam áreas pequenas para não chamar atenção dos satélites;
Falsificam documentos para parecer que a madeira é legal;
Abrem estradas escondidas em áreas com pouca cobertura satelital;
Pagam propina a fiscais locais para atrasar denúncias.
“Eles derrubam e queimam tudo em dois dias. Quando a gente chega, já é tarde”, contou um fiscal que pediu para não ser identificado.
Quando o problema vem de dentro
O cenário fica ainda mais grave quando autoridades locais estão envolvidas. A investigação encontrou indícios de corrupção em seis cidades do Pará e Mato Grosso.
Além disso, muitas cidades que receberam dinheiro federal para ações ambientais gastaram menos da metade do valor disponível, segundo dados do Portal da Transparência.
Tecnologia sozinha não resolve
Mesmo com satélites e sistemas de alerta modernos, ainda há vários desafios:
As nuvens dificultam a visão dos satélites, especialmente no início do ano;
Faltam técnicos para analisar os dados rapidamente;
Os sistemas do INPE, Ibama e Polícia Federal não são totalmente integrados.
Um relatório do Tribunal de Contas da União confirmou essas falhas na fiscalização ambiental.
O que pode ser feito?
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o combate ao desmatamento precisa ir além da tecnologia. Veja algumas medidas urgentes:
Investir em equipes locais, com mais pessoal e estrutura;
Integrar os sistemas de informação dos diferentes órgãos de fiscalização;
Usar tecnologias de radar, que funcionam mesmo com nuvens;
Incluir comunidades locais nas ações de proteção da floresta.
Enquanto essas ações não forem priorizadas, a floresta continua perdendo espaço — mesmo com toda a tecnologia e promessas feitas.
Fontes consultadas:
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Instituto Socioambiental (ISA)
Tribunal de Contas da União (TCU)
Ministério Público Federal (MPF)
Entrevistas com fiscais do Ibama e pesquisadores acadêmicos