O que te dá tesão? Essa pergunta — que não tem resposta certa — pode tirar o sono de muita gente, além de ser objeto de estudo de várias áreas de pesquisa. Com o objetivo de entender o que move o desejo sexual, nasceu a série documental O Prazer é Meu, exibida pelo GNT e Globoplay desde o dia 8 deste mês.
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O projeto é narrado pela atriz Mariana Xavier, conhecida pelo papel em Minha Mãe é uma Peça, e tenta chegar ao cerne da questão de como o prazer foi negado às mulheres ao longo da história.
A trama tem produção de Amana Cine e é comandada por Mariana Genescá. Ao Metrópoles, ela comentou que a iniciativa surgiu com uma ideia de Eliza Capai, diretora e parceira criativa.
“Estamos, ainda, precisando brigar por espaço para falar sobre educação sexual; e sobre sobrecarga mental das mulheres, com jornadas duplas, triplas, não remuneradas; sobre violências de gênero e violências obstétricas… São tantas questões que atravessam esse tema, para além do prazer sexual em si, que nos mostram que precisamos ainda de muito espaço pra falar disso”, reforça Mariana.
O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
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O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
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É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
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No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
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Com cinco episódios, O Prazer é Meu intercala entrevistas com estudiosas e depoimentos de mulheres e animações, numa abordagem simples e sensível de um tema delicado.
Prazer é saúde!
A produção também aborda a importância da saúde sexual. “Eu aprendi com a Fátima Oladejo, ginecologista maravilhosa, que ter uma vida sexual satisfatória é saúde. Não é um detalhe, não é um luxo”, salienta Mariana.
Se o sexo ativa diferentes mecanismos do nosso organismo, seus benefícios seguem pelo mesmo caminho, e vão desde o humor melhorado até a proteção do sistema imunológico.
“Foi muito gostoso descobrir que a gente podia falar desse tema do prazer, que ainda é considerado tabu, que fala do nosso corpo e tudo que atravessa essa vivência. Considero um tema superpolítico, conduzido de uma forma leve e bem-humorada”, comenta Mariana.
Produzir sobre prazer
Diretora da série, Eliza Capai comenta que a ideia teve início em 2021, enquanto vivia um luto. “Naquele momento, surgiu uma vontade de me reconectar com o próprio desejo, com a vida; um tesão de uma forma ampla”, recorda. “Foi um processo muito bonito, pessoalmente. A série me reconectou e me levou a outros prazeres. O prazer do corpo, a compreensão do prazer e de uma forma mais ampla o prazer da existência.”
Eliza aponta que, durante a produção, a equipe de fato mergulhou nessa busca por prazeres. “Todo mundo mergulhou, tanto pela curiosidade como por rever a própria forma de estar no mundo, e isso foi muito potente.”
Prazer em ser mulher
A diretora acrescenta que a produção aborda a importância do clitóris e de outros questionamentos pouco explorados socialmente.
“Culturalmente, somos massacrados sobre esse desejo que nem percebemos que está ali, ou, realmente, paramos de senti-lo por uma questão cultural”, aponta Eliza. “Há uma condenação cultural ao corpo da mulher e isso faz com que tenhamos menos orgasmos e nos sujeitemos a situações sociais reais.”
A série, então, incentiva essa autoinvestigação do corpo e dos prazeres.







